O primeiro turno da eleição presidencial chilena, marcado para este domingo (18) promete. Isso porque, José Antonio Kast, um deputado contrário ao aborto e que se afirma admirador de Augusto Pinochet, estará concorrendo e colocando o Chile à prova.

“Se estivesse vivo votaria em mim”, declarou há alguns dias. “Deixando de lado toda a questão dos direitos humanos, o Governo de Pinochet foi melhor que o de Sebastián Piñera [2010-2014] para o desenvolvimento do país.”

O El País afirma que o atual deputado disputa o eleitorado conservador com Sebastián Piñera, que, segundo a última pesquisa do Centro de Estudos Públicos (CEP), é o favorito para ocupar a presidência no mandato de 2018-22, com 44% das intenções de voto, seguido pelo candidato governista, o senador Alejandro Guillier, com 19,7%. Beatriz Sánchez, aspirante representante de uma nova coalizão de esquerda chamada Frente Ampla, é a terceira colocada, com 8,5%. Atrás dela aparecem vários candidatos nanicos, inclusive Kast, em sexto lugar, com 2,7% das intenções de voto.

Casado e pai de nove filhos, o candidato independente é frontalmente contrário ao aborto, em todas as suas formas. Em agosto, aliás, envolveu-se num processo do Tribunal Constitucional que revisava a despenalização das interrupções da gestação em três circunstâncias aprovadas pelo Congresso. Kast promete que, se for eleito presidente, revogará a norma que autoriza o aborto no Chile em caso de estupro, risco à vida da mãe e má formação fetal. Em plena campanha, uma fotografia o mostrava junto a uma ativista norte-americana que segurava um cartaz que dizia: “Concebida num estupro. Amo minha vida”.

Embora o Estado chileno seja laico desde 1925, o aspirante à presidência propôs em seu programa de Governo que todas as escolas públicas tenham um professor de religião. Ao defender a iniciativa, escreveu no Twitter: “Os chilenos precisam de Deus, e o Estado deve promover a religião nas escolas”.

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Como forma de combater os roubos, Kast se mostrou a favor de que os civis tenham armas em casa para se defender. “Os bandidos que não se metam comigo nem com minha família. Se entrarem em minha casa, atiro”, declarou o deputado. Quanto à imigração, Kast declarou que é preciso “recusar sem reservas a imigração ilegal” e que a prioridade são os chilenos.

A cruzada de Kast chegou a atravessar as fronteiras. Propôs o fechamento da fronteira com a Bolívia para controlar o narcotráfico.

O ministro do governo boliviano Carlos Romero respondeu pedindo que Kast fizesse um exame de uso de drogas. O chileno não se calou: “Já fiz meu exame e estou esperando o dele e o de seu presidente”, disse em referência ao mandatário Evo Morales.

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