Moscou (AP) — cânticos racistas e antigays tornaram-se mais comuns no futebol russo, o país que se prepara para sediar a Copa do mundo, mesmo que incidentes gerais de discriminação tenham diminuído.

Dezenove incidentes de cânticos abusivos foram registrados nesta temporada, de acordo com um relatório anual da Rede Fare Antidiscriminação e do Sova Center, baseadas em Moscou, lançaram quarta-feira. Isso se compara a dois casos na temporada passada e 10 no ano anterior. 

Entre as vítimas inclui-se os jogadores da equipe nacional francesa, que foram alvejados com cânticos de macaco durante um jogo contra a Rússia em março, e o jogador juvenil de Liverpool Bobby Adekanye, que era racialmente abusado por torcedores do Spartak Moscou. 

O goleiro do time russo Guilherme Marinato, naturalizado cidadão e nascido no Brasil, foi alvo duas vezes pelos torcedores do Spartak, ao chamá-lo de macaco. 

Em outro caso, um governador regional disse à mídia que o clube que ele administra os fundos, em Vladivostok, não contrataria qualquer jogador negro.

No mês passado, o defensor de Nigéria Bryan Idowu, que nasceu e cresceu na Rússia, disse à Associated Press que alguns torcedores do país utilizam de abusos racistas como uma tática para distrair os jogadores adversários, e não se trata de uma declaração de ideologia. 

“Acho que a maioria deles faz para colocar pressão sobre um jogador psicologicamente, talvez assim ele não queira continuar jogando”, disse ele. “Pode apenas ser porque alguém acha engraçado.” 

Em geral, os casos de discriminação no futebol russo caiu para 80, o mais baixo desde a temporada de 2013/14, de acordo com a Fare. 

O diretor executivo de Fare, Piara Powar, disse que há também uma crescente mudança por grupos de torcedores de extrema direita cantando, pois exibir banners sia mais fácil de serem identificados e punidos.

Powar diz que alguns clubes tiveram a atitude óbvia de proibir a exibição de banners com manifestações ofensivas. “Isso deixa as pessoas capaz ou livre para cantar as coisas e isso é uma coisa muito mais difícil para a polícia.” 

Houve uma queda no número de banners discriminatórios, de 75 para 52. 

Flagrantes extremistas e slogans racistas praticamente desapareceram dos estádios nos últimos anos, muitas vezes substituídos com mensagens codificadas usando s Runas (alfabeto) Vikings e outros símbolos com significado na extrema direita russa. 

Em um caso notável, torcedores do Zenit St. Petersburg saudaram o criminoso de guerra Ratko Mladic como um herói com uma bandeira em um jogo da Liga Europa em novembro. Isso causou uma ordem de fechamento parcial do estádio pela UEFA, órgão dirigente do futebol europeu. 

A Fare Network, que ajuda a FIFA e a UEFA a investigar casos de racismo, está planejando abrir duas “casas da diversidade” em Moscou e São Petersburgo durante a Copa do mundo, onde serão discutidas questões de discriminação nos esportes. 

Segundo Powar: “É uma celebração da diversidade. Isso mostra a ascensão da minoria étnica de jogadores em todo o continente e olha para o crescimento do futebol feminino, olha como questões associadas com o futebol russo.” 

A Fare também está emitindo um guia para a Rússia, para os torcedores visitarem e terá uma linha de apoio a torcedores de grupos minoritários para relatarem assédios ou ataques. 

A organização convida os torcedores de grupos minoritários para viajarem para a Copa do mundo, mas recomenda atenção com ambiente desconhecido e conscientização de questões tais como perfil racial pela polícia russa. 

Fonte: Yahoo

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